Contador de estória
Fernando José da Silva
É mesmo sem razão,
Ouvir essa voz,
Que encanta com suas estórias,
Estórias de assombração.
Acredita claro, quem quer,
Mas conta com tanta confiança,
Que até mesmo o corajoso,
Não deixa de se arrepiar.
Conta o causo que uma vez,
A mangueira mal assombrada,
Recebia pedradas bem ao escurecer,
Era pedra que "num acabava".
No outro dia bem cedo,
Era hora de averiguar,
Se a pobre da mangueira,
De pé ainda estava.
Causos contados, de fazendas,
Outro desfecho não teria,
Senão a sina, de terminar,
Sem solução.
Mas nosso contador,
O mais corajoso,
Morando sozinho uma noite se levantou,
Enquanto as pedras eram jogadas.
E qual não foi à surpresa,
Ao descobrir que a assombração,
Tinha mesmo era forma de coqueiro.
Era côco de babaçu.
O vento soprava,
A palmeira balançava,
E os côcos caiam,
Na pobre mangueira,
Que só fazia gemer.
Pra tirar as suas dúvidas,
O nosso estoriador,
Não teve outra solução,
Cortou mesmo o coqueiro.
E agora sem assombração,
Até mesmo o mais medroso,
Dorme tranqüilo no casarão.